Na teologia católica, encontramos o que é chamado de mariologia (estudo sobre Maria), e nesse estudo, os Católicos Romanos se apropriam muitas vezes dos pais da igreja (fonte que para eles é infalível) para defenderem que Maria não teve pecado nem antes e nem depois do nascimento de Cristo (Imaculada Conceição)
493. Os Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura» (143). Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida.
508. Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. «Cheia de graça», ela é «o mais excelso fruto da Redenção» (182). Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida.
509. Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus.
510. Maria permaneceu «Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-Lo à luz, Virgem grávida, Virgem fecunda, Virgem perpétua» (183); com todo o seu ser; ela é a «serva do Senhor» (Lc 1, 38).
511. A Virgem Maria «cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens» (184). Pronunciou o seu «fiat» – faça-se – «loco totius humanae naturae – em vez de toda a humanidade» (185): pela sua obediência, tornou-se a nova Eva, mãe dos vivos.(Catecismo da Igreja Católica - Edição típica vaticana)
Vamos ver o que a patrística tem a dizer disso:
(Diálogo com Trifão 95)
Justino afirma a base da doutrina do pecado original: toda a humanidade está debaixo da lei do pecado (Romanos 5:12, 7:7-14,24-25) necessitando da graça que há em Cristo Jesus. Justino não abriu nenhuma exceção a Maria. Se a Imaculada Conceição fosse de fato uma doutrina apostólica, esse era o momento dele falar dessa exceção. Portanto, Justino NÃO acreditava na Imaculada Conceição
Clemente de Alexandria (150-215)
"Agora, ó vocês, meus filhos, nosso Instrutor é como Seu Pai Deus , de quem Ele é filho, sem pecado, sem culpa e com uma alma desprovida de paixão; Deus na forma de homem , imaculado, o ministro da vontade de Seu Pai, a Palavra que é Deus , que está no Pai , que está à direita do Pai, e com a forma de Deus é Deus (...) Ele é totalmente livre de paixões humanas ; portanto, Ele sozinho é o juiz, porque Ele sozinho é sem pecado. No entanto, tanto quanto pudermos, tentemos pecar o mínimo possível (...) É melhor, portanto, não pecar de forma alguma, o que afirmamos ser prerrogativa somente de Deus".
(O Pedagogo (O Instrutor) Livro I capítulo 2)
"Pois esta Palavra [Jesus] de quem falamos sozinha é sem pecado. Pois pecar é natural e comum a todos"
(O Pedagogo (O Instrutor) Livro lll capítulo 12)
Clemente de Alexandria afirma categoricamente que somente Jesus Cristo é sem pecado porque não pecar é uma prerrogativa de Deus e nenhuma exceção foi feita a Maria. Se tem uma coisa que ele não acreditava era na Imaculada Conceição
Irineu de Lyon (130-202)
Papistas citam as seguintes palavras de Irineu a favor da Imaculada Conceição:
"De acordo com este desígnio, Maria, a Virgem, é encontrada obediente , dizendo: Eis aqui a serva do Senhor; "faça-se em mim segundo a tua palavra". Mas Eva foi desobediente; porque ela não obedeceu quando ainda era virgem (...) assim também Maria, tendo um homem prometido [a ela], e sendo ainda virgem , ao render obediência , tornou-se a causa da salvação , tanto para si mesma quanto para toda a raça humana. E por isso a lei denomina uma mulher prometida a um homem , a esposa daquele que a havia prometido , embora ela ainda fosse virgem ; indicando assim a referência anterior de Maria a Eva (...) E assim também foi que o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria. Pois o que a virgem Eva tinha amarrado firmemente pela incredulidade, isso a virgem Maria libertou pela fé"
Contra as Heresias (Livro III, Capítulo 22:4)
Qualquer pessoa com mínimo de inteligência percebe que Irineu não está falando sobre Maria ser uma pessoa tão elevada ao ponto de ter nascido sem pecado. Embora Irineu tenha elevado demais a pessoa de Maria aqui, o que ele está fazendo é o contraste entre a desobediência de Eva e a obediência de Maria. E o interessante é que no contexto Irineu está indo contra a virgindade perpétua de Maria ao dizer "ainda virgem" e isso é totalmente ignorado pelos papistas. Irineu errou sim ao dizer que Maria tornou-se a causa da salvação, tanto para si mesma quanto para toda a raça humana. O anjo não perguntou a Maria se ela poderia ou não ser mãe do Salvador, ele chega e diz que ela iria conceber, era um decreto de Deus (Isaías 7:14) não foi Maria que decidiu alguma coisa, Deus decidiu e ponto final. Agora, toda a questão de Irineu chegar a essa conclusão está no fato da desobediência de Eva e da obediência de Maria e só.
Agora, veja o motivo pelo qual Irineu não pode ser usado a favor da Imaculada Conceição
"Pois todas essas coisas foram conhecidas de antemão pelo Pai; mas o Filho as realiza no momento apropriado em perfeita ordem e sequência. Esta foi a razão pela qual, quando Maria estava insistindo [com Ele] para [realizar] o maravilhoso milagre do vinho, e estava desejosa antes do tempo de participar do cálice de significado emblemático, o Senhor, controlando sua pressa inoportuna, disse: "Mulher, o que tenho eu a ver com você? Minha hora ainda não chegou" [João 2: 4]"
(Contra as Heresias Livro III, Capítulo 16:7)
O historiador eclesiástico Philip Schaff comentando sobre esse texto afirma:
"[Irineu] não tinha nenhuma noção da impecabilidade de Maria, e expressamente declara que a resposta de Cristo em João 2:4 era uma repreensão de sua pressa prematura”
(History of the Christian Church, vol. 3, [Hendrickson, 2011], p. 415)
O renomado historiador e estudioso da doutrina cristã primitiva, J. N. D. Kelly também afirma:
“Em contraste com a crença mais tardia, em sua perfeição moral e espiritual, nenhum destes teólogos tinha o menor escrúpulo em atribuir culpas para Maria. Irineu e Tertuliano recordaram ocasiões em que, ao lerem as histórias do evangelho, ela foi repreendida pelo Filho"
(Early Christian Doctrines, [HarperOne, 1978], p. 493)
Portanto, Irineu não acreditava na Imaculada Conceição
Tertuliano (160 – 220)
"Mas há algum fundamento para pensar que a resposta de Cristo nega Sua mãe e irmãos no momento, como até mesmo Apeles pode aprender. "Os irmãos do Senhor ainda não tinham acreditado Nele". [João 7:5] Assim está contido no Evangelho que foi publicado antes do tempo de Marcião ; enquanto há ao mesmo tempo uma falta de evidência da adesão de Sua mãe a Ele, embora as Martas e as outras Marias estivessem em constante atendimento a Ele. Nesta mesma passagem, de fato, sua incredulidade é evidente. Jesus estava ensinando o caminho da vida, pregando o reino de Deus e ativamente engajado na cura de enfermidades do corpo e da alma ; mas o tempo todo, enquanto os estranhos estavam atentos a Ele, Seus parentes mais próximos estavam ausentes"
(Sobre a Carne de Cristo capítulo 7)
Tertuliano afirmou categoricamente que Maria era incrédula porque Jesus estava constantemente ensinando e pregando, porém ela estava ausente nesses momentos, diferente de Marta e Maria. No contexto Tertuliano explica que esse era o motivo de Jesus ter falado "quem são meus irmãos e minha mãe?".
Em outro lugar Tertuliano explica novamente porque Jesus disse "quem são meus irmãos e minha mãe":
"Parece que Sua linguagem equivalia a uma negação de Sua família e Seu nascimento; mas surgiu na verdade da natureza absoluta do caso e do sentido condicional em que Suas palavras deveriam ser explicadas. Ele estava justamente indignado, que pessoas tão próximas a Ele estivessem de fora , enquanto estranhos estavam dentro pendurados em Suas palavras"
(Contra Marcião, Livro IV capítulo 19)
No contexto Tertuliano explica que Jesus não negou que Maria era sua mãe e que seus irmãos eram irmãos de sangue, mas estava indignado com sua mãe e seus irmãos de sangue porque eles estão fora e não junto dEle mas sim pessoas de fora estavam com Ele. Enfim, Tertuliano acreditava que Maria estava na incredulidade, e isso faz parte de uma natureza pecaminosa
O renomado historiador já citado, J.N.D. Kelly afirma:
“Em contraste com a crença mais tardia, em sua perfeição moral e espiritual, nenhum destes teólogos tinha o menor escrúpulo em atribuir culpas para Maria. Irineu e Tertuliano recordaram ocasiões em que, ao lerem as histórias do evangelho, ela foi repreendida pelo Filho"
(Early Christian Doctrines, [HarperOne, 1978], p. 493)
Portanto, Tertuliano não acreditava na Imaculada Conceição
Orígenes (185 – 253)
"A Escritura diz claramente que, no tempo da paixão, todos os apóstolos foram
escandalizados, quando o próprio Senhor disse: “Todos vós sereis escandalizados nesta
noite (...) Por que pensamos que, tendo os apóstolos sido escandalizados, a mãe do Senhor estaria imune ao escândalo? Se, durante
a paixão do Senhor, ela não sofreu o escândalo, Jesus não morreu por seus pecados. Se,
porém, “todos pecaram e são privados da glória de Deus, se todos são justificados e
redimidos por sua graça”,
Maria também, naquele tempo, esteve sujeita ao escândalo"
(Homília 17, sobre o Evangelho de Lucas)
A Enciclopédia Católica comentando esse texto de Orígenes afirma:
"Orígenes , embora atribuísse a Maria altas prerrogativas espirituais, pensava que, no momento da paixão de Cristo , a espada da descrença perfurou a alma de Maria ; que ela foi atingida pelo punhal da dúvida ; e que por seus pecados também Cristo morreu ( Orígenes , "In Luc. hom. xvii")"
(Enciclopédia Católica, Imaculada Conceição, Prova da Tradição)
É exatamente isso que Orígenes afirma na Homilia 17 de Lucas. Segundo ele, se Maria não sofreu escândalo assim como os apóstolos, então Cristo não morreu por ela e ele acrescenta "se porém todos pecaram e são privados da glória de Deus...Maria também naquele tempo esteve sujeita ao escândalo". Ou seja, Orígines não acreditava na Imaculada Conceição
Cipriano (200 - 258)
"Em Jó: "Pois quem é puro da imundície? Ninguém; mesmo que sua vida seja de um dia na terra". Também no Salmo quinquagésimo: "Eis que fui concebido em iniquidades, e em pecados me concebeu minha mãe". Também na Epístola de João: "Se dissermos que não temos pecado , enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós".
(Livro lll Tratado 12 capítulo 54)
"Pois está escrito: "Quem se gabará de ter um coração limpo, ou quem se gabará de ser puro de pecados ?" [Provérbios 20:9] E novamente, em sua epístola, João estabelece, e diz: "Se dissermos que não temos pecado , enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós". Mas se ninguém pode estar sem pecado , e quem quer que diga que não tem culpa é orgulhoso ou tolo"
(Tratado 8, Sobre obras e esmolas, 3)
Cipriano cita diretamente as Escrituras para falar que ninguém está sem pecado e nenhuma exceção foi feita a Maria. Portanto, Cipriano não acreditava na Imaculada Conceição
Atanásio de Alexandria (296-373)
Papistas costumam citar as seguintes palavras de Atanásio:
"Mas Ele toma um corpo de nossa espécie, e não meramente isso, mas de uma virgem imaculada"
(Sobre a Encarnação do Verbo 8:3)
Porém, o contexto explica porque Atanásio chamou Maria de Imaculada:
"Mas Ele vem em condescendência para mostrar bondade amorosa sobre nós e nos visitar. E vendo a raça de criaturas racionais no caminho para perecer, e a morte reinando sobre elas pela corrupção; vendo, também, que a ameaça contra a transgressão deu um firme controle à corrupção que estava sobre nós, e que era monstruoso que antes que a lei fosse cumprida ela caísse (...) e vendo, por fim, como todos os homens estavam sob pena de morte: Ele teve pena de nossa raça, e teve misericórdia de nossa enfermidade, e condescendeu com nossa corrupção, e, incapaz de suportar que a morte tivesse o domínio — para que a criatura não perecesse (...) Mas Ele toma um corpo de nossa espécie, e não meramente isso, mas de uma virgem imaculada e imaculada, que não conhece homem algum , um corpo limpo e em verdade puro de relações sexuais com homens (...) E, assim, tomando de nossos corpos um de natureza semelhante, porque todos estavam sob pena da corrupção da morte, Ele o entregou à morte em lugar de todos, e o ofereceu ao Pai — fazendo isso, além disso, por Sua amorosa bondade, com o fim de que, primeiramente, todos sendo considerados mortos nEle (...) vivificá-los da morte pela apropriação de Seu corpo e pela graça da Ressurreição"
(Sobre a Encarnação do Verbo 8)
Atanásio começa falando que TODOS os homens estavam sob pena de morte e que Ele (Jesus Cristo) teve pena de nossa raça e misericórdia de nossa enfermidade para que a criatura (TODOS) não perecesse. Daí ele fala que Jesus Cristo tomou um corpo de uma virgem imaculada e logo ele explica "e imaculada que não conhece homem algum, um corpo limpo e em verdade puro de relações sexuais com homens" e também diz em seguida "porque TODOS estavam sob pena de corrupção de morte, Ele o entregou a morte em lugar de TODOS". Ou seja, Atanásio chama Maria de Imaculada em sentido de sua VIRGINDADE E NÃO DE SEU NASCIMENTO, até porque em todo o contexto ele fala que TODOS estão sob pena da corrupção da morte e nenhuma exceção foi feita a Maria
Atanásio também diz que todos morreram em Adão sem nenhuma exceção a Maria:
"Pois assim como somos todos da terra e morremos em Adão, assim sendo regenerados de cima da água e do Espírito, no Cristo somos todos vivificados"
(Discurso 3 Contra os Arianos 33)
Atanásio também diz que todos os homens estão perdidos segundo a transgressão de Adão (pecado original) e que por isso o corpo de Cristo foi liberto do pecado antes de todos:
"Pois embora tenha sido depois de nós que Ele foi feito homem para nós, e nosso irmão por semelhança de corpo, ainda assim Ele é, portanto, chamado e é o "Primogênito" de nós, porque, todos os homens estando perdidos, de acordo com a transgressão de Adão, Sua carne antes de todos os outros foi salva e libertada, como sendo o corpo do Verbo"
(Discurso 2 Contra os Arianos 61)
Para Atanásio a carne de Cristo era imaculada antes de todas as outras e nenhuma exceção a Maria foi feita. Se na mente dele Maria fosse imaculada, a carne dela e não a de Cristo seria imaculada primeiro. Portanto, Atanásio não acreditava na Imaculada Conceição
Hilário (300-368)
"Pois Cristo tinha de fato um corpo, mas único, como convinha à Sua origem. Ele não veio à existência por meio das paixões incidentes à concepção humana : Ele veio à forma do nosso corpo por um ato de Seu próprio poder. Ele carregou nossa humanidade coletiva na forma de um servo, mas Ele era livre dos pecados e imperfeições do corpo humano : para que pudéssemos estar Nele, porque Ele nasceu da Virgem, e ainda assim nossas faltas não pudessem estar Nele, porque Ele é a fonte de Sua própria humanidade, nascido como homem, mas não nascido sob os defeitos da concepção humana (...) Ele nasceu de Si mesmo homem através da Virgem, e encontrado na semelhança de nosso corpo degenerado de pecado (...) Ele se submeteu como homem a um nascimento humano : ainda assim, como Cristo, Ele estava livre da enfermidade de nossa raça degenerada"
(Sobre a Trindade Livro X, 25)
Hilário afirma que somente Cristo nasceu sem pecado.
J.N.D Kelly escreve:
"Hilário também entendia que Maria deveria enfrentar o juízo de Deus por causa dos seus pecados"
(Patrística, Origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã [Editora Vida Nova, 1994], p. 379)
Efrém o Sírio (306-373)
"Cristo nasceu de uma natureza que se tornou impura e precisava ser purificada pela visitação de Deus. Assim como o relâmpago penetra tudo, Deus também o faz. E assim como o relâmpago ilumina o oculto, assim Cristo purifica a natureza oculta. Ele purificou a Virgem e depois nasceu, para mostrar que onde está Cristo, a pureza se manifesta em todo o seu poder. Ele purificou a Virgem, tendo-a preparado pelo Espírito Santo; e então o ventre, tendo-se tornado limpo, O concebe. Ele purificou a Virgem em sua inocência e, portanto, tendo nascido, deixou-a Virgem"
(São Efrém o Sírio, Criações TOM ll 40)
Efrém está dizendo que Maria precisava ser purificada para dar à luz a Cristo, pois ela tinha se tornado impura (devido ao pecado original) e precisava da visitação de Deus. Portanto, Maria era pecadora como qualquer um.
Em outro lugar, ele fala que Maria teve um segundo nascimento:
"O Filho do Altíssimo veio e habitou em mim, e eu me tornei sua Mãe; e assim como por um segundo nascimento eu O dei à luz, assim Ele me deu à luz pelo segundo nascimento, porque Ele vestiu as vestes de Sua Mãe, ela vestiu seu corpo com Sua glória"
(Hinos sobre a Natividade de Cristo na carne, 11)
Se Maria participou de um segundo nascimento, a implicação é que ela teve que ser regenerada e, portanto, tinha pecados. Ou seja, Efrém não acreditava na Imaculada Conceição
Epifânio de Salamina (310-403)
Em suas obras, Panarion e Os Últimos Dias da Virgem Maria, Epifânio fala de Maria de forma bastante elogiosa e com certeza de todos os pais da igreja ele é quem mais a exalta. Porém, será que por causa disso deveríamos concluir que ele defendia a Imaculada Conceição? Vejamos:
"Ela certamente não nasceu diferente do que normalmente, mas da semente de um homem e do ventre de uma mulher como todo mundo (...) Ninguém no mundo pode nascer de qualquer maneira, exceto a maneira humana normal. Somente o Filho estava apto para isso, a natureza permitiu isso somente a Ele (...) Maria deveria ser honrada, mas o Pai, o O Filho e o Espírito Santo devem ser adorados; ninguém deveria adorar Maria (...) nem mesmo anjos são permitidos tanta glória"
(Panarion, Contra os Coliridianos 79, Books ll and lll.Fide págs 641,643,644)
Epifânio está matando dois coelhos numa cajadada só, a Imaculada Conceição e a "hiperdulia". Nessa obra ele se dedica a refutar a adoração a Maria e em nenhum momento ele fala de uma certa "hiperdulia" e nem mesmo acima dos anjos ela está como os papistas a colocam. Ele diz que Maria nasceu como todo mundo, ou seja, debaixo do pecado original e que somente Cristo nasceu imaculado. Ou seja, até mesmo Epifânio, que foi o pai da igreja que mais exaltou Maria, não acreditava na Imaculada Conceição
Cirilo de Jerusalém (315 – 386)
"Pois contamos alguma parte do que está escrito a respeito de Sua bondade amorosa para com os homens , mas o quanto Ele perdoou os Anjos não sabemos : para eles também Ele perdoa, pois Um só é sem pecado , mesmo Jesus que limpa nossos pecados"
(Palestras Catequéticas, Aula 2:10)
Para Cirilo somente Jesus Cristo é sem pecado, ele não abriu exceção para Maria
Cirilo também diz que ela foi santificada no momento da anunciação do anjo para que fosse capaz de conceber o Messias:
"O Espírito Santo veio sobre ela [Lucas 1:35] , e a santificou, para que ela pudesse receber Aquele por quem todas as coisas foram feitas"
(Palestras Catequéticas, Aula 17:6)
Se para Cirilo só Jesus é sem pecado e Maria teve que ser santificá-la para poder receber o Messias em seu ventre, óbvio que ele não acreditava na Imaculada Conceição
Basílio de Cesareia (330-379)
"De acordo com a palavra do Senhor, é dito: Todos vocês serão ofendidos por minha causa. Simeão, portanto, profetiza sobre a própria Maria, que quando estiver de pé junto à cruz , e contemplando o que está sendo feito, e ouvindo as vozes, após o testemunho de Gabriel, após seu conhecimento secreto da concepção divina, após a grande exibição de milagres , ela sentirá sobre sua alma uma poderosa tempestade (...) Ele indica que após a ofensa na Cruz de Cristo uma certa cura rápida virá do Senhor para os discípulos e para a própria Maria, confirmando seus corações na fé Nele"
(Carta 260:9)
Basílio enfatiza que Maria também se escandalizou com a cruz e que ela também foi curada para ter fé nEle. Escândalo e cura não fazem parte de uma natureza sem pecado.
Vamos então que os Pais da Igreja assumem que Maria herdou o pecado original, isso não a impede de que seja geradora do Deus vivo e encarnado. Da mesma forma, ela também não continuou a ser virgem após o nascimento de Cristo, mas isso fica para outra postagem.
Que o Deus triúno nos abençoe.
Pr. Luan Batista
SOLA SCRIPTURA
SOLA GRATIA
SOLA FIDE
SOLUS CRISTUS
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